Retrocesso no Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Portadora de Deficiência

 

 MONTAGEM

Nadja Soares de Pinho Pessôa*

 

Causou-me estranheza ver minha fotografia em matéria publicada no último sábado, 9 de agosto, por este jornal (Jornal OPOVO). A matéria, intitulada "Portadores de deficiência - Plano estadual define ações e direitos", trata de um tema que muito nos interessa e pelo qual lutamos há 23 anos. No entanto, é necessário deixar claro que não participei da reunião a que o jornalista se refere. O jornal tem permissão para usar minha fotografia como articulista colaboradora e sempre que eu for retratada na ocasião de cobertura dos eventos. Nunca numa montagem como essa: onde apareço apontando para um quadro estatístico que está longe de retratar a realidade das pessoas com deficiência em nosso país, estado e capital. Indigna-me a montagem e também as leituras que ela suscita, e a mais imediata me atrela a um processo do qual não faço parte por já ter tido demonstrações suficientes de que os governantes em nosso estado não levam a sério as propostas de políticas públicas, apresentadas pelas entidades representativas de classes e segmentos sociais, sobretudo no que se referem às pessoas com deficiência. Prova mais recente deste descaso já se encontra na assembléia: foi enviada para votação, em regime de urgência, a mensagem n.º 6.602, de 17 de junho de 2003, do excelentíssimo governador do estado, apresentando um projeto de lei que "Altera a denominação do Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Portadora de Deficiência, que passa aa denominar-se Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Portadora de Necessidades Especiais, altera o artigo 2.º da Lei n.º 11491, de 23 de setembro de 1988, e dá outras providências". O projeto encaminhado pela mensagem nada mais é do que um enorme retrocesso, inclusive na nomenclatura, em todos os avanços e conquistas deste segmento, indo contra as diretrizes e orientações do CONADE (CONSELHO NACIONAL DOS DIREITOS DA PESSOA PORTADORA DE DEFICIÊNCIA). Além disso, o atual projeto desconsidera mais de um ano de trabalho de representantes das entidades e técnicos da extinta SETAS, num total desrespeito àqueles que dispuseram de se seu precioso tempo em reuniões sistemáticas e freqüentes - sim, porque quando se trata de questões relativas às deficiências todo trabalho tem que ser voluntário e, neste caso, não se tem direito a pró-labore, auxílio-paletó, jetons e outros aditivos mais. Assim, quando acreditamos e nos lançamos num processo de "co-gestão", gastamos mesmo é muito do nosso preciosíssimo tempo. Por esse e muitos outros motivos, é que gostaria de ver corrigido o erro da publicação acima referida.
      

                                                                       Fortaleza, 10 de agosto de 2003

 


*Especialista em Informática na Educação e em Tradução de Alemão, Professora de Língua Portuguesa, tetraplégica, fundadora e vice-presidente do Movimento Vida, Independência, Dignidade, Direito e Ação - VIDA

                                                                   

 

Repercutiu na Imprensa

Jornal OPOVO

http://www.noolhar.com/opovo/fortaleza/285334.html

http://www.noolhar.com/opovo/opiniao/286374.html

http://www.noolhar.com/opovo/fortaleza/286816.html

Jornal Diário do Nordeste

http://diariodonordeste.globo.com/materia.asp?codigo=98704