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Jornal Diário do Nordeste, 19 de janeiro de 2006 (http://diariodonordeste.globo.com/materia.asp?codigo=308920
José Leomar
José Leomar
O projeto tem como objetivo minimizar as barreiras arquitetônicas, pedagógicas e ideológicas que prejudicam as pessoas com deficiência. A UFC terá recursos da ordem de R$ 78 mil para sua implementação
 

PESSOAS COM DEFICIÊNCIA
UFC lança projeto de inclusão


Batentes altos, portas estreitas, falta de livros em braille, de rampas e de elevadores. São alguns dos problemas enfrentados diariamente por portadores de deficiência física que estudam na Universidade Federal do Ceará (UFC).

Tentando minimizar as barreiras arquitetônicas, pedagógicas e ideológicas que prejudicam essas pessoas, a instituição lançou, na manhã de ontem, no Campus do Benfica, um Programa de Inclusão de Pessoas com Deficiência Física- o UFC Inclui.

O evento contou com presença do secretário adjunto da Secretaria Nacional dos Direitos Humanos, Mário Mamede, da presidente da Comissão de Direitos Humanos da Assembléia Legislativa do Ceará, deputada Íris Tavares, além de diversos representantes do poder público do Estado.

De acordo com a professora da Faculdade de Educação da UFC e uma das coordenadoras do Projeto, Ana Kanina Morais, o Ministério da Educação liberou recursos da ordem de R$ 78 mil para a implementação do programa na Universidade.

Segundo ela, o UFC Inclui pretende, com esta verba, reformular a estrutura física dos seus três campus - em Fortaleza, Sobral e Barbalha - para que seja permitido o acesso dos deficientes físicos às vias de circulação, aos edifícios e às salas da instituição.

Para atender aos universitários que sofrem de deficiência visual, o UFC Inclui prevê a construção de um Laboratório de Informática Educativa (LEI), na Biblioteca do Centro de Humanidades.

A obra está prevista para ser iniciada em junho próximo e o espaço abrigará computadores equipados com softwares especialmente desenvolvidos para deficientes visuais.

Ana Kanina informa, ainda, que a Universidade Federal do Ceará tem apenas dez alunos deficientes, que possuem limitação motora ou visual.

LIBRAS — Durante a solenidade de lançamento do projeto, a pró-reitora de Graduação da UFC, professora Ana Maria Monte Coelho, anunciou ainda a criação de um curso de graduação voltado para formação de professores especializados em Libras (Língua Brasileira dos Sinais). “Uma iniciativa pioneira. Futuramente, os deficientes auditivos também serão beneficiados pelo programa, que vai formar professores capazes de atendê-los dentro da universidade ”, disse.

A UFC assegura que também criará um Núcleo de Educação Inclusiva (NEI), que cuidará do acompanhamento dos deficientes físicos da instituição, para que as suas necessidades sejam identificadas. “O NEI objetiva realizar a capacitação continuada dos professores e bolsistas, quanto ao uso de sistemas como o braille, libras, métodos e técnicas de educação inclusiva no Ceará”, garante a professora Ana Karina Morais.

Para Mário Mamede, a destruição das barreiras culturais que cercam o deficiente também é essencial. “Precisamos aprender a ter respeito por essas pessoas. Ainda temos muito o que avançar nesse sentido, mas o UFC Inclui já é um bom começo”, enfatiza.

 

 

HENRIQUE BELTRÃO (http://diariodonordeste.globo.com/materia.asp?codigo=308921)
Professor sente na pele os transtornos

O radialista e professor, Henrique Beltrão, sentiu na pele os transtornos que um deficiente físico é obrigado a suportar para se deslocar na cidade. Na manhã de ontem, no bosque do campus do Benfica, ele teve a oportunidade de experimentar, por alguns minutos, a sensação de estar numa cadeira de rodas. “Dá muito medo, porque balança demais. Achei que ia cair”, constatou Henrique, após perceber como o terreno é acidentado e dificulta o deslizamento das rodas.

Ele também ficou admirado com a inclinação excessiva das poucas rampas de acesso existentes no lugar. “São muito íngremes. Achei que ia virar para trás”, afirmou ofegante o professor, relatando estar muito cansado, por conta do grande esforço físico realizado nas “manobras”.

Tendo que se deslocar numa cadeira de rodas há apenas um ano e dez meses, por conta de uma queda que a deixou paraplégica, a estudante de psicologia da UFC, Bárbara Valões, ficou aliviada com o anúncio das providência que serão tomadas pelo UFC Inclui. “Numa instituição sem o mínimo de estrutura como a UFC, tenho que depender de alguém para fazer tudo”, lamenta.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 
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